segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Riacho Suassuna

Por James Davidson


 O Riacho Suassuna é um dos principais cursos d'água que cortam o município de Jaboatão dos Guararapes. Pertencente à Bacia Hidrográfica do Rio Jaboatão, é um dos seus principais afluentes, com cerca de 13 km de comprimento. Este riacho passa por alguns locais históricos do município tendo, por isso, muita história pra contar.

Serra da Macambira

O Rio ou Riacho Suassuna destaca-se por ser conhecido por várias denominações populares, como Riacho Colônia, Rio Macujé e Rio Mangaré. Algumas vezes é chamado também de Rio e Riacho Palmeiras, mas este é na verdade um de seus afluentes que vem do Engenho Palmeiras. Porém, a denominação mas antiga que encontramos nas antigas cartas de doação de sesmarias é a de Riacho Suassuna, ou então, Riacho Suassuna Macujé e, por esta razão. que escolhemos esta denominação.


A palavra Suassuna vem da língua tupi e significa "veado preto", talvez indicando a existência desse animal nessa região. Já a palavra Macujé , também de origem tupi, significa "fruto saboroso"e é o nome de uma árvore que deveria ser abundante na região (couma rigida) e hoje não mais encontrada por aqui. Ambos nomes batizaram engenhos cortados pelo mesmo rio.


O Riacho Suassuna nasce no sopé da Serra da Macambira, ponto mais alto de Jaboatão, limite com Moreno, nas terras onde outrora existia a Mata do Tundá. Em terras do Engenho Macujé, na comunidade de Pau Amarelo, surge como um tímido córrego fazendo curvas sinuosas entre os rochedos e às margens da estrada. Vai engrossando suas águas, à medida que recebe seus tributários, até ficar bastante caudaloso na altura do Engenho Macujé, onde recebe as águas do Riacho do Açude.


Mais adiante, próximo à entrada do Engenho Palmeiras, o Suassuna forma a sua primeira grande corredeira, limite entre o alto e o médio curso. Em seguida o rio segue para a Colônia dos Padres Salesianos onde recebe o seu maior afluente - o Riacho Palmeiras. Este nasce em terras do Engenho Pedra Lavrada, corta o Engenho Palmeiras, onde forma um açude e uma pequena cachoeira e, antes de desaguar no Suassuna, recebe as águas do Riacho Várzea dos Coelhos.

1° Corredeira do Suassuna





Após a Colônia Salesiana, o Riacho Suassuna corta as terras da Usina Jaboatão, antigo Engenho Suassuna. Lá, suas águas formavam um açude que era usado para mover o engenho e, depois, a própria usina. O rio também forma uma corredeira no local e, a partir deste ponto, passa a formar uma planície de inundação de relativa extensão e largura.
Cachoeira da Lagoa Azul
O Riacho segue para o chamado Lote 23, terras do antigo Engenho Santo André. Este engenho foi o primeiro a ser instalado em terras jaboatonenses e seu primeiro proprietário foi o holandês Arnau de Holanda. Sua sede ficava às margens do Riacho Suassuna e suas ruínas ainda existiam, até a década de 50 do século passado, quando foram encontradas por José Antonio Gonsalves de Mello. Ainda restam algumas ruínas desse engenho no local, mas sua denominação é desconhecida dos moradores.

 
Cachoeira do Engenho Palmeiras


Já próximo da foz, nas proximidades da Lagoa Azul, o Riacho Suassuna atravessa um trecho de rochas ígneas bastantes resistentes à erosão. Nesse trecho, o rio forma uma longa corredeira descendo vários metros em pouca distância. Forma sua última queda d'água, a cachoeira que fica ao lado da Lagoa Azul. Mais adiante, na sede do Engenho Guarany, o Suassuna encontra-se com o Rio Jaboatão finalizando assim sua longa jornada.

Foz do Riacho Suassuna
Do ponto de vista ambiental, o Riacho Suassuna é menos poluído que o Rio Jaboatão, já que boa parte de seu percurso é em zona rural. Porém, o cultivo de cana-de-açúcar em suas margens, a fertirrigação e os resíduos domésticos das novas áreas que vêm sendo ocupadas em sua bacia já comprometem a saúde do rio. Não podemos esquecer também que era no Suassuna que eram despejadas as vísceras do antigo matadouro municipal que, levadas à praia pelo Rio Jaboatão, contribuíam para os ataques de tubarão na orla.



O Riacho Suassuna é mais um elemento de destaque na nossa paisagem municipal.

Um comentário:

guilherme octávio disse...

O total desmatamento das matas ciliares.