terça-feira, 15 de setembro de 2009

A questão do patrimônio histórico em Jaboatão

Por James Davidson

Jaboatão dos Guararapes é uma cidade que possui um rico patrimônio histórico que ainda é pouco conhecido pela sua população e que carece muito de proteção legal por parte do governo. Muitos são os edifícios que vem sendo destruídos pelo descaso de seus proprietários e pela falta de uma legislação (ou de sua aplicação) de proteção para alguns bens. Este é mais um dos graves problemas enfrentados por nossa cidade!


Jaboatão possui apenas 4 bens tombados a nível nacional pelo IPHAN: Os Montes Guararapes, A Igreja dos Prazeres, o Convento e a Igreja de Piedade. A nível estadual Jaboatão possui como bens tombados pela FUNDARPE: a Capela do Loreto e o Povoado de Muribeca dos Guararapes. Sobre o tombamento a nível municipal vamos explicar com mais detalhes a questão.



Em 1978, a FIDEM desenvolveu o Plano de Preservação de Sítios Históricos da Região Metropolitana do Recife onde foram escolhidos alguns conjuntos e edifícios históricos da RMR para tombamento estadual e alguns outros ficaram indicados para futuras propostas. Em Jaboatão, o povoado de Muribeca foi um dos escolhidos para tombamento, enquanto outros sítios foram apenas delimitados e indicados como bens de interesse cultural, como o Conjunto de Jaboatão Centro e as Oficinas e Vilas Operárias Ferroviárias de Jaboatão Centro. O Engenho Suassuna foi analisado mas, infelizmente e imprudentemente, descartado do processo.



Posteriormente, baseando-se no mesmo estudo efetuado pela FIDEM, a Prefeitura Municipal do Jaboatão decidiu criar as áreas especiais de interesse cultural onde foram protegidas o Conjunto de Jaboatão Centro (que incluía as igrejas de Santo Amaro e do Livramento, com o casario ao redor) e o Conjunto das Oficinas e Vilas Ferroviárias. Esta proteção oferecia vantagens a quem mantivesse os edifícios preservados como isenção de IPTU por um certo tempo e punia os transgressores que modificassem e descaracterizassem os edifícios.


Com a criação da Fundação Yapoatam, em 1996, durante a administração do prefeito Humberto Barradas, foi criado o cadastro de bens culturais de Jaboatão dos Guararapes onde alguns edifícios e sítios históricos foram listados e catalogados. Apesar de incompleto (mais da metade do número de bens ficaram de fora) e de muitos erros nas informações históricas, foi uma importante iniciativa no sentido de divulgar e incentivar o conhecimento a respeito do nosso município. Inclusive, foi o livro que primeiro despertou em mim o interesse pelas coisas de Jaboatão dos Guararapes.


Mas as poucas atitudes no sentido de proteger o nosso patrimônio histórico logo foram anuladas pelas "desadministrações" que seguiram à administração de Humberto Barradas. Se durante as gestões de Nilton Carneiro e Rodovalho nem a saúde, coleta de lixo e educação funcionavam, quanto mais as referentes ao nosso patrimônio histórico!


Com isso, as leis que existiam foram completamente ignoradas e não evoluíram. A Fundação Yapoatam foi completamente afundada e envolvidas em denúncias de corrupção e acabou sendo extinta. Enquanto isso, as pessoas e a própria prefeitura não respeitaram o nosso patrimônio histórico. Muitas casas em Jaboatão Centro e em Muribeca foram descaracterizadas, prédios belos e imponentes como "a Senzala", a Antiga Coletedoria Estadual e o Padre Chromácio Leão foram destruídos, a estação e as oficinas ferroviárias ficaram abandonadas, o Engenho Suassuna foi saqueado e os demais edifícos de valor histórico continuaram esquecidos!



Hoje, apesar do surgimento da sede do Instituto Histórico de Jaboatão e da recuperação do Edifício Leão Coroado e da Casa da Cultura, a situação não melhorou muito. A casa onde viveu a pianista Amélia Brandão, por exemplo, continua sendo descaracterizada e aos poucos vai sendo destruída. O Engenho Suassuna continua em ruínas e outros edifícios históricos estão na mesma situação! Temos esperanças que a nova gestão, que já se dispôs em apoiar o Instituto Histórico de Jaboatão em suas atividades de manutenção, atenda as nossas reivindicações. O município precisa urgentemente resgatar e atualizar a legislação existente para que nossa história não se perca completamente!

3 comentários:

Flausino, L disse...

Muito bom texto, James.

Só discordo de um ponto, apesar de saúde e educação serem questões de importância inquestionável, não creio que seja pertinente dizer que estes devem ser comentados no sentido de esse ou aquele serem priorizados perante outros.

O desafio do bom gestor está em saber que tudo deve ser priorizado como ferramentas de valorização da cidade, do ambiente em que está inserida e das pessoas que vivem nela, pois o patrimônio é a nossa identidade, é a marca do que fizemos de melhor como animais culturais. Além disso, como a educação vai valorizar a identidade local sem o patrimônio, e que condições de saúde terá alguém que vive próximo a uma edificação em ruínas [o risco da edificação cair sobre as pessoas pode ser considerada como risco a saude]?

No mais, até pelo comentário acima, elogio a iniciativa de valorizar nosso patrimônio, pois reflete nossa história. Descuidar do nosso patrimônio é descuidar do nosso passado. Espero e torço que o Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico de Jaboatão consiga desempenhar seu papel de proteger nossa cultura.

[]s.
Lucio Flausino

césar ramos disse...

Brilhante o texto!!!

James,
Cada vez, me convenço que você é a maior autoridade em historiografia de Jaboatão. Parabéns pela coragem de denunciar os crimes hediondos, cometidos contra o patrimônio histórico,artístico e cultural de Jaboatão.
Nós que crescemos nessa cidade, lamentamos imensamente, todas essas arbitrariedades, que só aconteceram e acontecem mediante a ignorância (ou o desconhecimento,e confesso que não sei qual é o pior) do povo e sobretudo dos governantes, ou como você mesmo diria: os “desgovernantes” que passaram e estão nessa cidade.Que por não terem nascido,crescido,vivido em Jaboatão , desconhecem completamente sua historia, não entendendo assim o seu presente ,e sendo por conseguinte incapazes de projetarem o futuro.
A destruição do prédio da “senzala”, pelo SUPERMERCADO DA CASA , situado em uma área delimitada de tombamento por uma lei municipal. Soou para mim como sendo o atestado da ignorância. Uma gestão que desconhece a própria legislação municipal é incapaz de gerir uma cidade. Esse é o preço que temos que pagar, por não termos um governo que seja filho de Jaboatão.

Abraços esperançosos.

Mário César Ramos

Sandra disse...

ta tudo muito lindo é importante para mossa história,espero um dia volta nesta cidades e levar o meu filho para ver que cidade limda a mãe dele nasceu.obrigada.