sábado, 20 de junho de 2009

Usina Jaboatão - Engenho Suassuna

Por James Davidson


O antigo Engenho Suassuna corresponde, atualmente, a Usina Jaboatão, hoje desativada e em estado completo de abandono e em ruínas. A história da localidade é muito antiga, tendo origem na sesmaria de Gaspar Alves Purgas, cedida em meados do século XVI, e desmembrada em várias partes que deram origem aos engenhos São João Batista, Palmeiras e Suassuna. O Engenho Suassuna foi fundado, então, pelos irmãos Diogo Soares e Fernão Soares, cristão-novos, no ano de 1573, data da compra da parte da sesmaria. O nome Suassuna significa veado preto e este nome foi dado por causa do Riacho Suassuna que corta o local.


O Engenho foi fundado com a denominação de N.S da Apresentação e moeu pela 1° vez em 1584. Destaca-se por ter sido palco de diversas denunciações e confissões de Pernambuco, durante a visitação do Tribunal do Santo Ofício (Inquisição), entre 1593 e 1595, onde se pode constatar a perseguição a judeus e evangélicos, inclusive aos próprios donos do engenho. É interessante encontrar nos relatos a grande intolerâcia existente na época, quando alguém poderia ser denunciado simplismente por faltar a missa ou por não crer em imagens, por exemplo.




O Engenho Suassuna foi invadido pelos holandeses em um dos seus assaltos à Muribeca, quando pertencia então, a João de Barros Correia. Durante o século XVIII, pertencia a família Cavalcanti de Albuquerque, com destaque para o legendário Coronel Suassuna. Este era uma das figuras de destaque da época e que reunia em seu engenho alguns dos intelectuais que participaram da chamada "Conspiração dos Suassuna", de 1801. Daí a origem da chamada "Academia Suassuna" que defendia a implantação de idéias liberais no Brasil e que influenciou movimentos libertários como a Revolução Pernambucana de 1817 e a Confederação do Equador.


O Engenho Suassuna recebeu, em meados do século XIX, o missionário evangélico americano Daniel Kidder. Este aportou no Brasil com o intuito de pregar o evangelho e distribuir bíblias num país onde a sua leitura era proibida aos leigos. O engenho era, segundo ele, uma grande propriedade com cerca de 100 escravos que pertencia ao Barão e depois Visconde de Suassuna. A senzala ficava à esquerda da atual casa-grande, onde hoje há uma fileira de casas.


Pertenceu posteriormente aos Barões de Muribeca e do Limoeiro. Em 1889, o engenho é adquirido pelo governo que funda a Colônia Suassuna, a 1° tentativa de reforma agrária de Pernambuco. A propriedade foi dividida em lotes que foram distribuídos entre nacionais e estrangeiros, sob certas condições. É daí a origem de alguns bairros com a denominação de "lote" em Jaboatão Centro.


Contudo, o empreendimento não deu certo porque o Estado não conseguiu manter a colônia. Então, esta foi vendida a Companhia Progresso Colonial que instalou uma Usina no local. Esta usina passou a chamar-se, posteriormente, Usina Jaboatão e foi desativada em 1996 por problemas relacionados a dívidas da empresa. Hoje, o antigo Engenho Suassuna encontra-se em ruínas e sua secular casa-grande, datada de 1790, foi saqueada e arruinada por vândalos. É a mais antiga casa de engenho do município que ainda se encontra em pé e um típico representante dos solares rurais de Pernambuco do século XVIII, onde funcionou a tão importante Academia Suassuna! Mais um local histórico de Jaboatão que se encontra esquecido e abandonado!

20 comentários:

Walkiria Rodrigues disse...

Faz pena o estado a que chegou a Usina Jaboatão, trabalhei lá por alguns anos. Os prédios,hoje em ruínas, eram muito bonitos, pareciam
coisas de novela de época.
Muito boa sua postagem.

Kleber disse...

Meu avô era Mestre Zezinho,Minha Avó D.Maria Olimpia,meu pai e minhas tias tiveram a infancia na Usina,falava que era um lugar lindo,pena que o governo não sabe dá valor a história,recuperar este arquivo vivo.Parabens pela reportagem e que venha atravéz desta uma melhoria para o lugar. Kleber Fernando F.Mendes. Email:Kf_fm.72@hotmail.com

Kleber disse...

Meu avô era Mestre Zezinho,Minha Avó D.Maria Olimpia,meu pai e minhas tias tiveram a infancia na Usina,falava que era um lugar lindo,pena que o governo não sabe dá valor a história,recuperar este arquivo vivo.Parabens pela reportagem e que venha atravéz desta uma melhoria para o lugar. Kleber Fernando F.Mendes. Email:Kf_fm.72@hotmail.com

Kleber disse...

Meu avô era Mestre Zezinho,Minha Avó D.Maria Olimpia,meu pai e minhas tias tiveram a infancia na Usina,falava que era um lugar lindo,pena que o governo não sabe dá valor a história,recuperar este arquivo vivo.Parabens pela reportagem e que venha atravéz desta uma melhoria para o lugar. Kleber Fernando F.Mendes. Email:Kf_fm.72@hotmail.com

Luiz disse...

O "SOBRADO" como é conhecido este casarão era muito lindo e imponente, lembro que quando pequeno passava por ele e não tinha como não olhar para aquela construção que infelizmente está em ruínas mas que marca a importancia deste lugar. Lembro que anos atrás passou uma reportagem no NE TV da Rede Globo citando o CASARÃO e informando que a FUNDAÇÃO YAPOATAM estaria recebendo uma verba para reformar o prédio... passaram os anos e até hoje nada foi feito, uma pena ter que ver um patrimonio de nossa cidade morrer a cada e não poder fazer nada, isso é lamentavel.
Fui criado entre o centro de Jabatão e a Usina Jaboatão, pois toda minha fmailia morou e trabalhou na Usina, meu tio´foi até Gerente da mesma, sou da Familia Ribas e da familia Souza, meus avós Maria José Ribas conhecida como Dona Santa e Benvindo Ribeiro Ribas e Dolores de Souza cohecida como Dona Dora e Valdemar Damião de Souza o Seu Dema, todos eles e mais meus tios, pais e primos trabalharma na usina e hoje lembram com alegria o tempo em que a Usina era potencia na região e sentem muita saudade das festas que sempre aconteciam na SEDE da usina e dos jogos no Campo do Cristal.

Que as autoridades possam reverter este rumo que a usina está levando.

Anônimo disse...

Que pena!!!! Que pena mesmo um local histórico esbarrar com o descaso!!!
Lindo local!!!

Eliete disse...

Que pena!!!! Que pena mesmo um local histórico esbarrar com o descaso!!!
Lindo local!!!

Anônimo disse...

Como é que um lugar cheio de história do nosso país pode ficar numa situação triste dessas? Ô, que coisa! Mas será que não vamos conseguir salvar pelo menos as paredes externas?

Anônimo disse...

Pelo amor de Deus, não permita que este lugar se va com otempo,alguém tem que salva-lo.Amo demais aí, pois hoje moro no Paraná na divisa com o Paraguai e Argentina e tenho muitas saudades daí.

Bruno martins disse...

Este lugar esta assim por culpa do poder publico,pois meu avo Guilherme Martins antigo propietario da usina,foi para o leilão que teve da casa da usinA arematarr a casa para fazer lá o museu do açúcar de pe pois era seu sonho preserva a casa ,mais não conseguio arrematar ,pois o juiz não autorizou o lance na casa pois ele já tinha sido propietario da casa ,preferiram acabar com nossa história .

Renatinha disse...

Renata Couto
Que pena! É triste ver A HISTÓRIA se desmoronando. E o mais revoltante é que entra prefeito e sai prefeito e ninguém faz nada. Onde está o Elias que não faz nada pelo patrimônio, aliás pelos patrimônios de JABOATÃO!

Parabéns pela postagem!
Os amantes de HISTÓRIA agradecem!

ivanildo disse...

Meu primeiro emprego foi nesta usina e era muito linda,fico com uma dor enorme ao ver um lugar que era o sonho de muita gente se acabar,comecei a tarbalha no departamento pessoal com 17 anos nossa,como passou rápido.Infelizmente devido a imcompetencia e ganacia de alguns dos dirtores a usina veio a ruir.Nossa!!BONS TEMPOS AQUELES.

ivanildo disse...

Meu primeiro emprego foi nesta usina e era muito linda,fico com uma dor enorme ao ver um lugar que era o sonho de muita gente se acabar,comecei a tarbalha no departamento pessoal com 17 anos nossa,como passou rápido.Infelizmente devido a imcompetencia e ganacia de alguns dos dirtores a usina veio a ruir.Nossa!!BONS TEMPOS AQUELES.

Zenilda Maria Costa disse...

É lamentável que nossa cidade tenha uma história tão rica, tão linda; mas infelizmente o nosso povo sofre de uma doença crônica chamada descaso; nossa população joboatonenese não sabe valorizar a beleza da nossa terra.Gerações é gerações se passaram e não lutaram para preservar a bela História de Jaboatão.Aqui chega qualquer um, se diz salvador da pátria, candidata-se a prefeito, vereador e resolve destruir o que ainda temos.Esse tal Nilton Carneiro aqui chegou e acabou com as palmeiras imperiais, o cartão de visita da nossa cidade. O que a população fez? E os vereadores, filhos de Jaboatão que na época da politica reconhecem os conterrâneos, lembram-se da infância, dos bailes do Clube Jaboatonense - que está entregue as baratas, do Cine Samuel Campelo, a sessão das sonhorinhas, é muita cara de pau, e nós os impensáveis elege os bonitos. E eles o que fazem pra pelo menos preservar o que ainda resta, mesmo deformado? O rio Jabotão que virou riacho, depósito de lixo, de tralha das casas reformados na Rua Diomedes Valois, de restos venenosos da Usina Bulhões, da Portela, etc. Que punição estes irresponsáveis têm? O atual prefeito o que tem feito pela nossa cidade, apenas a mudança no transito no centro, mas as motos continuam a deus dará, na ponte do Beco da Colônia, quase não se consegui passar.Onde está a autoridade do transito? A cheia acabou em 2005 com quase toda a cidade, ainda hoje temos vestígios dos prejuízos causados.Ninguém fez nada.O rio está morto, apenas vegeta, os peixes atiram-se fora da aágua para tentar sobreviver porque o homem com sua ambição, pouco a pouco acaba com o seu habitat.Salvem o que resta da historia de Jaboatão.Cuidem ,as autoridades do nosso Rio Jaboatão.

Célia Leite disse...

Acordo BRASIL! vamos preserva a nossa história.

MARCÃO CAMPEÃO disse...

SE ALGUÉM TIVER UM MAPA,OU FOTOS DOS PEQUENOS TRENS QUE TRAFEGAVAM SAINDO DESTA USINA POR FAVOR ME ENVIE.
DE MARCÃO
marcos.barboza@hotmail.com

Joselia Carvalho disse...

Passei minha infância entre a usina Bulhões e a Usina Jaboatão, onde grande parte da minha família trabalhou, como meu avô, meu pai, irmão, tios e primos(as). É uma pena que parte da história da nossa cidade tenha se perdido.

Unknown disse...

Nasci e mim criei nessa usina meu pai trabalhou muitos anos nela.E várias e várias vezes levava o café dele lá na oficina pois ele trabalhava de torneiro mecânico um dos mais desenrolados da tornearia,chego a ensinar a alguns a profissão como nosso amigo leandro filho de dona Maria e rico goleiro do cristal e até hoje o senhor Antônio conhecido como ganjão mora lá, somos da família souza e Vicente do tão conhecido Sr. José Vicente (Zé da vara) e Sr.Valdemar damião de souza(Sr.Dema)meus avôs,e ver o sobrado um patrimônio desse se destruíndo é doloroso demais para nós que ainda moramos aqui.

Flavio Davi disse...

Nasci e mim criei nessa usina meu pai trabalhou muitos anos nela.E várias e várias vezes levava o café dele lá na oficina pois ele trabalhava de torneiro mecânico um dos mais desenrolados da tornearia,chego a ensinar a alguns a profissão como nosso amigo leandro filho de dona Maria e rico goleiro do cristal e até hoje o senhor Antônio conhecido como ganjão mora lá, somos da família souza e Vicente do tão conhecido Sr. José Vicente (Zé da vara) e Sr.Valdemar damião de souza(Sr.Dema)meus avôs,e ver o sobrado um patrimônio desse se destruíndo é doloroso demais para nós que ainda moramos aqui.

Mizael disse...


Meu nome e Mizael (pipa) fui aluno da prof.Maria Siene, quanta tristeza ver um patrimonio tão lindo se acabar dessa maneira.