sábado, 16 de maio de 2009

Engenho Palmeiras

Por James Davidson


Localizado próximo a Colônia dos Padres Salesianos e ao Engenho Macujé, o Engenho Palmeiras é outro dos mais antigos engenhos pernambucanos e jaboatonenses. Fundado por Fernão Vassalo, em parte da sesmaria de Gaspar Alves Purgas em 1601, era chamado inicialmente de Engenho Santa Cruz. Foi vendido a Felipe Diniz, em 1616, e ficou arruinado durante a invasão holandesa, sendo também chamado de Engenho Mangaré.



O Engenho é localizado no local conhecido como Sítio das Palmeiras, onde há umas palmeiras imperiais. É cortado pelo Riacho Palmeiras, afluente principal do Riacho Suassuna e que nasce no Engenho Pedra Lavrada. Daí a mudança de nome para Engenho Palmeiras.


Em 1857 o engenho pertencia a João Coelho da Silva e, posteriormente, passou a ser fornecedor de cana para a Usina Jaboatão. Hoje é fornecedor para a Usina Bulhões. No local, ainda existem alguns edifícios antigos do engenho como a capela, o barracão (armazém), datados de 1957, uma escola municipal (Odaléa Lemos), vila dos moradores, etc. Porém, o mais interessante é um antigo arqueduto que era usado para retirar água do Riacho Palmeiras, uma cachoeira no mesmo riacho e um antigo arruado com casas alinhadas e com apenas uma porta que, tudo indica, foi a senzala do engenho. A antiga casa-grande não mais existe, havendo uma outra casa mais recente no local.




O Engenho Palmeiras é um dos outros locais interessantes e pouco conhecidos do nosso querido Jaboatão dos Guararapes!


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Ser ou não ser jaboatonense: eis a questão II

Por James Davidson

Jaboatanense, jaboatonense, jaboatãoense ou jaboatãozense? Afinal, quem nasce em Jaboatão é o quê?
Existem dicionários que defendem estranhos adjetivos para quem mora em Jaboatão. Para o Aurélio, quem nasce em Jaboatão é jaboatãoense. Para o dicionário de Caldas Aulete, o correto é  jaboatanense. Para o dicionário Houaiss, quem nasce em Jaboatão é jaboatanense ou jaboatãozense. Porém, o povo de Jaboatão se autodenomina jaboatonense.

Talvez, para alguns, as formas descritas nos dicionários sejam, na verdade, as formas corretas, pois estes foram escritos por estudiosos na língua. Contudo, respeitando minha formação humanística e minha origem popular, eu sou forçado a discordar delas por diversos motivos.

Primeiro, porque estes dicionários foram escritos por pessoas de fora, que provavelmente nunca estiveram em Jaboatão para confirmar suas suposições. Foram pesquisadores apenas de gabinete, não de campo. Ora, quem escreve um dicionário tem como objetivo catalogar as palavras existentes e de uso corrente com seus respectivos significados, ao invés de criar denominações e impô-las como corretas. Assim, primeiro o povo cria as palavras que se tornam comuns e depois elas vão parar num dicionário, mas nunca o processo contrário. Ninguém insere num dicionário uma palavra que nunca é dita.

O povo de Jaboatão sempre se denominou jaboatonense. Prova disso são alguns jornais antigos chamados de "O Jaboatonense", o Clube Jaboatonense, e houve até time de futebol chamado assim! Até mesmo no Hino Municipal encontramos essa denominação!

Sendo assim, a forma mais correta de chamar o povo de Jaboatão é jaboatonense. É a forma de uso corrente e consagrada pelo povo! Nada de jaboatãoense ou jaboatãozense! O dicionário deveria respeitar a linguagem consagrada e falada pelo povo e não criar novos termos que ninguém conhece! Ninguém aqui diz "Eu sou jaboatãozense!" mas todos dizem "Somos Jaboatonenses". É um consenso popular e não há nada de errado nisto! É a voz da maioria que na verdade tem o direito de denominar-se como quiser e deve ser respeitada. Afinal, não é correto retirar o direito de quase 700 mil habitantes a favor de dois ou três especialistas que nem aqui os pés puseram. Nós somos Jaboatonenses!