terça-feira, 23 de outubro de 2007

Engenho Santana - Patrimonio às margens do Rio Jaboatão

Por James Davidson




Próximo ao Loteamento Santa Joana, no bairro de Sucupira, encontra-se o Engenho Santana com sua belíssima Casa-grande e com sua capela, bem nas margens do Rio Jaboatão e próximo à linha férrea. É um dos principais marcos históricos localizados no Distrito de Cavaleiro e um dos engenhos mais antigos do município.
Na verdade, o Engenho Santana surgiu da primeira sesmaria a ser doada em terras da Ribeira do Jaboatão, segundo os registros existentes. Após a expulsão dos índios Caetés que habitavam essa região, por Duarte Coelho de Albuquerque, começou-se a doar terras a fidalgos portugueses para que estes montassem engenhos. Assim, em 1565, Gabriel de Amil recebeu 500 braças de terras localizadas no Vale do Rio Jaboatão, terras estas que só vieram a ser demarcadas em 1572 quando já haviam sido vendidas a Gabriel Prestes que as revendeu ao irmão de Duarte Coelho: Jorge de Albuquerque. Mas o Engenho só veio a ser levantado mesmo quando Simão Falcão e sua esposa D. Catarina Paes, que haviam adquirido o engenho, doaram-no a Lopo Soares como dote nupcial, no ano de 1576.

O Engenho Santana veio a pertencer ainda a João Fernades Vieira, um dos líderes da Insurreição Pernambucana e, nas matas existentes em sua terras, ocorreram muitas reuniões onde foram traçados os planos para expulsar os holandeses do Brasil.

No início do século XX, o Engenho Santana pertencia a Manoel Carneiro Leão que foi prefeito de Muribeca quando esta ainda era município. Posteriormente, pertenceu a D. Nita Carneiro Leão. Nessa época, o engenho já não produzia mais açúcar, pois as atividades realizadas eram a pecuária e a mineração(extração de rochas para a construção civil). Atualmente, o Engenho Santana pertence aos descendentes de D. Nita Carneiro Leão.

O Engenho Santana é composto por um conjunto formado pela casa-grande, capela, vila dos moradores e sede da administração. A casa-grande foi construída em um só pavimento em estilo eclético. Feita em alvenaria de tijolos, possui bom estado de conservação, apesar das várias alterações que sofreu ao longo do século XX. A capela do engenho é anexa a casa-grande e se destaca pela beleza de suas linhas e curvas. Nela há uma placa informativa sobre o engenho.

A vila de moradores é composta por várias casas simples com uma porta e uma janela na fachada, típicas das encontradas em zona rural. Em frente a casa-grande, e próximo ao prédio da administração, há ruínas da moita do engenho, ou seja, a antiga fábrica.

O Engenho Santana constitui um verdadeiro marco histórico de Jaboatão dos Guararapes que, felizmente, ainda se encontra em relativo bom estado de conservação. É mais um local de interesse para todo o povo jaboatonense!

15 comentários:

Wellington disse...

Moro no Loteamento SªJoana, que fica próximo ao engenho Santana, é bom conhecer um pouco da historia e principalmente quando ela está tão próxima de nós. já estive lá e o lugar é muito bonito, o casarão bem conservado, vale apena conhecer.

Filmes.Net disse...

Muito bom saber que tem alguém que se interesse em fazer história mostrando essas fotos do Engenho Santana. Eu e meu avô vimos as fotos e nos emocionamos pois foi lá onde ele se criou junto com seu pai que era o administrador do Engenho: Manoel Baldoino Maciel. Parabéns!

Filmes.Net disse...

Relembrando sua infância, meu avô, Francisco de Assis Maciel, hoje com 82 anos lembrou-se emocionado dos tempos em que seu pai, Maonel Balduíno Maciel que era administrador do Engenho organizava todo o Engenho Santana de propiedade do Cel. Manoel Carneiro Leão, lá meu avô, seu pai, mãe e irmãos vivia com os costumes da época. Lembra-se ainda que o motorista do Engenho Santana nessa época era Manoel Afonso de Santana e do vigia José Luis que por sinal era deficiente visual de um olho. Meu avô muitas vezes era o encarregado de tocar o sino da capela que se encontra ao lado da Casa Grande, além de outras obrigações e prazeres que este lugar tão histórico e marcante proporcionou a ele alegrias e lembranças de uma época que jamais se apagarão de sua mente.

Fabiano disse...

eu moro no engenho santana encontrei uma estatua de um escravo de bronze gostaria de saber c elguam poderia me ajudar a saber qual o ano que ela tem e seu valor historico meu email e fabianodarkwolf@hotmail.com

LouRodrigues disse...

Segue mais alguns dados sobre o engenho:
Um documento holandês de 1637 relaciona, em Jaboatão dos Guararapes, o engenho Santana, de Manoel de Souza Abreu. Localizado no bairro de Sucupira, construção: meados do século XV.
A Casa-Grande do Engenho Santana, em estilo eclético, foi erguida em alvenaria de tijolos sobre base de pedra. A capela, anexa ao edifício da vivenda, tem uma faixada de composição triangular e porta de arco pleno com moldura em pedra. O entorno atravessa um processo de urbanização, decorrente do crescimento do Bairro do Socorro e do loteamento feito em suas terras. É encravado na encosta de um morro, às margens do Rio Jaboatão dos Guararapes.

Ministerio de Artes Intimidade com Cristo disse...

HJ esse engenho pertence a COMUNIDADE CATOLICA OBRA DE MARIA e estar em proceso de restauração para moradia dos menbros da mesma comunidade.

Anônimo disse...

ESTE ENGENHO PERTENCE AO POVO JABOATONENCE,ISTO E PATRIMONIO DA HUMANIDADE.

Anônimo disse...

O engenho pertence aos herdeiros de Antônio Novaes Filho e de sua esposa Maria Anna Carneiro de Novaes, herdeira e filha única de Manoel Carneiro Leão e de Joanna Idelvita Mendes de Holanda . Em 13/10/1997 foi invadido pelos sem terras (Processo INCRA/SR-03/no 54140.002790/2005-13); ficando para a família a casa grande e seu entorno. Hoje se encontra sob a administração da Comunidade Católica Obra de Maria, através de Contrato de Comodato, onde consta como um dos principais itens a obrigatariedade da conservação dos bens imóveis do engenho.

Ana Carolina disse...

Ola pessoal, estou trabalhando em um projeto de Restauração da Capela de Santana, este projeto esta em processo de conclusão que servira de estudo para a obra de restauro, preciso do maximo de informações sobre a capela e o engenho para colocar em relatorio, quem puder me ajudar agradeço. ancaliaz@hotmail.com

Pri Bello disse...

Olá, há algum registro dos escravos que passaram pelo engenho? Ou História de para onde foram quando da abolição?

Moacir Pessoa de Queiroz disse...

Eu sou Moacir Pessoa de Queiroz, e já morei no engenho Santana em 1974 até 76 eu era criança, mais lembro de dois leões na frente da casa grande. Meu pai era trabalhador do engenho. Hoje moro em Igarassu e tenho vontade de visitar esse engenho que fez parte da minha infância.

DJ CARLOS SULYVAN disse...

Também moro perto,ali tem muitas história pra contar,muito lindo de dia e macabro a noite!
agora que ta povoando algumas parte perto dali.
Vale a pena ver de perto Muito bonito todo o lugar...

Unknown disse...

Escutei na minha infância esse sino tocar, e hj ainda conheço um dos descendentes de dona Nita, Antônio Telmo carneiro de Novaes.

Tito Lima disse...

Escutei na minha infância esse sino tocar, e hj ainda conheço um dos descendentes de dona Nita, Antônio Telmo carneiro de Novaes.

marcia disse...

Visitei este lugar ainda muito pequena... Meu avó José Dias (in memória) cuidou muito deste casarão. Lembranças boas!