quarta-feira, 6 de maio de 2015

Meu apoio ao Ocupe Estelita!

Por James Davidson

Como militante da causa da preservação do Patrimônio Histórico e como  autor de Memórias Destruídas, venho aqui expressar meu total apoio ao Movimento Ocupe Estelita. O espaço urbano não deve nem pode ser pensado apenas para defender os interesses elitistas. A cidade tem que ser feita e planejada para todos que nela habitam, e não apenas para satisfazer os lucros das empresas que financiam  os partidos políticos. É a contradição do  discurso neoliberal que diz que o Estado não deve interferir nos interesses privados, mas ao mesmo tempo utiliza e manipula o Estado para satisfazer e priorizar os interesses privados. É a hipocrisia de aplicar as leis ambientais e urbanísticas para as populações de baixa renda, mas vendar os olhos quando os poderosos violam as mesmas leis para construir empreendimentos luxuosos. É a imoralidade de entregar um terreno público no centro da cidade, em área de preservação ambiental e histórica, para que a iniciativa privada lucre em cima do que devia ser ocupado e utilizado por todos e para todos. Eu sou James Davidson e eu apoio o Movimento Ocupe Estelita!!!


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Monumento Antigo em Jaboatão Centro

Por James Davidson


Quem mora ou trabalha em Jaboatão Centro talvez não conheça este monumento. Localizado na Praça Dantas Barreto (Praça do metrô), em frente à antiga Prefeitura do Jaboatão, passa despercebido pela maioria que por ali transita diariamente. E mesmo que nota sua presença, muitas vezes  ignora do que se trata na verdade.


Na verdade, este monumento tem uma história interessante. Foi colocado ali durante as comemorações do Tricentenário da Restauração Pernambucana, comemorado e celebrado em 1955. O evento, que mobilizou grande parte da sociedade pernambucana na época, devido à importância que a expulsão dos holandeses representa para a história do Nordeste e do Brasil, contou com a participação de pessoas importantes como as autoridades estaduais e municipais, militares, políticos, intelectuais, entre outros. Em Jaboatão, foi protagonista o então Prefeito Humberto Barradas que, participando ativamente das solenidades realizadas no município, mandou ser posto um monumento na Praça Dantas Barreto, em memória do Tricentenário da Restauração. 


O monumento consiste num granito encravado no solo, com uma placa de mármore no formato do Mapa de Pernambuco. Desconhecemos o artista autor da obra que contém os seguintes dizeres: "Homenagem do Jaboatão aos heróis da Restauração Pernambucana 1654 - 1954". Encontra-se precisando de maior atenção dos poderes municipais, já que foi alvo recentemente de pichadores que não ignoraram o monumento.

sábado, 1 de novembro de 2014

Megaípe na Pintura

Por James Davidson


Nenhuma casa de engenho causou na história tantas polêmicas e tantas discussões como a casa-grade do Engenho Megaípe. Localizada no município do Jaboatão dos Guararapes, próximo ao Povoado de Muribeca, nenhuma casa de engenho foi tão comentada, tão idealizada e tão celebrizada como aquela casa de engenho. Tida como o mais antigo representante do período colonial a ter sobrevivido aos tempos modernos, Megaípe tornou-se mais conhecida mesmo a partir de sua destruição, ocorrida no ano de 1928. Tudo porque o seu proprietário, temendo a realização de um pioneiro processo de tombamento a ser realizado no estado, decidiu por abaixo aquela que poderia ser talvez a maior relíquia sobrevivente do período colonial de Pernambuco.


A destruição de Megaípe causou grande impacto entre os intelectuais de sua época. Gilberto Freyre já vinha falando sobre ela há vários anos antes de sua destruição, em matérias de jornais locais como "A Província". Em sua primeira edição de Casa-grande e Senzala lá estava Megaípe representado por uma litografia. Outros escritores e intelectuais importantes como José Mariano Filho e Júlio Bello também deixaram registradas suas opiniões sobre o edifício, notadamente após a sua destruição.


No meio artístico a casa-grande de Megaípe também não foi esquecida. Se não foi possível preservar o prédio colonial como todos desejavam, os artistas aos menos o fizeram em suas especialidades. Assim, na poesia Manuel Bandeira e Ascenço Ferreira deixaram em versos seus pensamentos e sentimentos sobre a casa-grande. Em fotografias, Megaípe chegou  a ser registrada por Armando Oliveira, Júlio Bello, Beroaldo Mello e Ulysses Freyre. 


Na pintura e no desenho, Megaípe também não foi negligenciada. Foram vários os artistas que celebraram a memória da edificação em diversos estilos e épocas. Assim, temos os quadros do pintor Manuel Bandeira (não confundir com  o poeta, pois eram pessoas diferentes), um dos primeiros a registrar pela pintura a notável casa-grande. Outra que também pintou o edifício foi a artista Fedora do Rego Monteiro Fernandez, famosa artista do início do século XX.


Megaípe mereceu a atenção também do pintor carioca Alfredo Norfini. Seu quadro "Solar de Megaípe" aparece registrado como tendo participado de uma exposição do Museu Imperial. Também ganhou destaque nacional a representação de Megaípe realizada por José Wasth Rodrigues, em seu Documentário Arquitetônico, publicado em na primeira metade do Século XX. Mais recentemente, a casa de Megaípe foi também eternizada nem quadro do pintor pernambucano Mário Nunes. Como possível perceber, talvez nenhuma casa-grande de engenho tenha recebido semelhante atenção por parte de intelectuais e de artistas, e certamente devem existir outros que passaram despercebidos. Assim, Megaípe será  para sempre lembrada através da história não somente por sua destruição, mas também por ter sido capaz de movimentar em sua época tantos intelectuais e artistas mais que qualquer outra edificação contemporânea.