domingo, 29 de junho de 2014

Minha Posse na Academia de Letras do Jaboatão dos Guararapes

Por James Davidson


No último dia 06 de junho foi realizada, na Câmara de Vereadores do Jaboatão dos Guararapes, a cerimônia de posse da Academia de Letras do Jaboatão dos Guararapes - ALJG. Na ocasião, tomaram posse os acadêmicos fundadores da mais nova instituição que busca o engrandecimento da terra de Benedito Cunha Melo e de tantos outros que colaboraram para que Jaboatão fosse a tão grande cidade que é atualmente. Como mais um reconhecimento pelo trabalho que tenho desenvolvido em prol desta cidade, tanto através deste espaço como pelo livro Memórias Destruídas, tomei posse como acadêmico e aqui venho divulgar com os leitores do blog as fotos do evento.















domingo, 25 de maio de 2014

Capelas de Engenho Jaboatonenses

Por James Davidson

Capela do Engenho Bulhões

Casa-grande, senzala, capela e moita são os edifícios básicos de um típico engenho de cana-de-açúcar. Cada edificação cumpria uma função específica na organização do engenho, e alguns engenhos ainda conservam pelo menos um dos edifícios principais. A casa-grande cumpria o papel de residência do senhor de engenho e, geralmente, situava-se à meia encosta, em um ponto elevado onde se avista a fábrica e a produção. Em contrapartida, a moita ou fábrica localizava-se na porção mais baixa do terreno, próximo ao rio, por conta da força motriz ser movida a água. A localização da senzala no sítio variava bastante, podendo ser junto à casa-grande ou junto da fábrica, ou mesmo em outro canto do sítio, desde que não distante do mesmo. Já a capela localizava-se geralmente no topo de alguma colina próxima, nos engenhos mais antigos, ou também ao lado da casa-grande (geralmente nos engenhos do século XVIII).

Capela do Engenho Manassu

A capela de engenho era mais que um simples templo religioso. Era o centro da vida social do engenho. Além de cumprir as funções religiosas básicas - missas e batizados, era a capela o local de realização das principais festas da vida cultural do engenho. Dentre estas, destaque para as festas de casamento, sempre muito movimentadas, batismos de crianças, festas natalinas, de Páscoa, São João, etc. Mas as festas mais importantes de um engenho era a Festa do Padroeiro, a Festa da Botada e a "Pêja".

Capela do Engenho Palmeiras

As festas de padroeiro de engenho eram das mais concorridas e importantes. Algumas seguem ocorrendo até hoje, como a de São Severino dos Ramos, em Paudalho. Outras já tiveram seus dias áureos, mas estão hoje esquecidas, como a de São Braz, e a de Santo Antônio do Engenho Velho do Cabo. Em Jaboatão, cada engenho também tinha sua festa de padroeiro tradicional no passado, mas com a desestruturação das comunidades da maioria dos engenhos e com a destruição de muitas capelas, a maioria dessas festas não existem mais.

Capela de São João Batista da Usina Bulhões

Os santos padroeiros, com suas respectivas festividades e capelas existentes nos engenhos de Jaboatão, eram os seguintes: Engenho Guararapes - São Simão; Engenho São Bartolomeu - São Bartolomeu; Megaype de Baixo - São Felipe e São Tiago; Megaype de Cima - N.S do Carmo; Novo da Muribeca - São José; Muribequinha - Santo Antônio; Penanduba - N.S do Rosário; Salgadinho - São Cristóvão; Secupema - Santo Antônio; Santo André - Santo André; Santana - N.S. de Santana; Engenho Socorro - N.S. do Socorro; Engenho Velho - N.S. da Guia; Suassuna - N.S da Assunção; Engenho Bulhões - São João Batista; Palmeiras - Santa Cruz; Macujé - N.S do Carmo; Camaçari - N.S. do Rosário. Dessas, capelas, subsistem apenas as capelas dos engenhos Palmeiras, Bulhões, Santana,  Manassu, e Megaype de Cima (ruínas).

Capela em ruínas do Engenho Megaype de Cima

A Festa da Botada era outro momento importantíssimo na vida de um engenho. Marcava o início da moagem da cana e era realizada geralmente no mês de setembro. Consistia numa celebração onde se faziam todos presentes, com realização de missa por um padre-capelão. Nessa ocasião, os equipamentos do engenho eram benzidos com água benta, principalmente a moenda do engenho. Já a Festa da Peja marcava o fim do  período da moagem da cana, geralmente em março ou abril, encerrando as atividades do engenho. Era uma cerimônia mais modesta e menos importante que a Botada, sendo mais comemorada pelos trabalhadores e escravos do engenho.

Capela do Engenho Santana

Toda essa festas e comemorações de engenho eram realizadas em suas capelas e fábricas e deixaram sua contribuição na cultura do brasileiro. Jaboatão, como terra açucareira desde a sua origem, também fez parte desse processo!

Capela do Engenho Santana

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Casas-grandes de Engenho Jaboatonenses

Por James Davidson

Casa-grande do Engenho Penanduba

Casa-grande é um termo que foi eternizado no Livro Casa-grande e Senzala, de Gilberto Freyre, e refere-se às antigas moradias dos senhores de engenho. Junto com a capela, a fábrica e a senzala, formava o conjunto de edificações básicas de um engenho de açúcar. Porém, apesar do termo, nem sempre eram grandes casas, mesmo que existam algumas que são monumentais, como bem explica o Professor Geraldo Gomes.

Casa-grande do Engenho São Bartolomeu - destruída

Casa-grande do Engenho São Bartolomeu

A localização da casa-grande no terreno dos sítios onde se encontram as sedes dos engenhos, geralmente é situada à meia encosta, em ponto estratégico onde o senhor podia observar a produção do açúcar. Nos engenhos jaboatonenses, as casa-grandes em geral não fogem à essa regra, ficando situadas quase todas nesta mesma situação. As casas dos engenhos Rico, Muribequinha e Velho (atualmente destruídas), por exemplo, ficando na encosta onde se observava toda o pátio e os edifícios da produção do açúcar.

Casa-grande do Engenho Santana

Casa-grande do Engenho Macujé

Dentre os edifício tradicionais de um engenho de açúcar, a casa-grande geralmente é o que com mais facilidade é preservado. Diferente das senzalas, que por sua fragilidade construtiva dificilmente são mantidas, as casas-grandes muitas vezes são o único edifício original de muitos engenhos de Pernambuco que se preservam. No caso de Jaboatão, muitos engenhos ainda mantém suas casas-grandes originais - Caiongo, Megaype de Cima, Penanduba, Novo da Muribeca, Usina Muribeca, São Joaquim, Santana, Suassuna, Socorro, Mussaíba, Duas Unas, Bulhões, Caxito, Corveta, Macujé, Pedra Lavrada, Camarço e Cananduba.

Casa-grande do Engenho Suassuna

Casa-grande do engenho Caxito

A mais célebre casa-grande de engenhos jaboatonenses com certeza foi a do Engenho Megaype de Baixo. Construída no século XVI ou XVII, era a mais antiga casa de engenho de Pernambuco a chegar até o século XX. Porém, apesar de sua magnificência e sua importância, foi cruelmente dinamitada, em 1928, por seu proprietário. Outras casas de engenho destruídas em Jaboatão foram as dos engenhos Guararapes, onde existiu uma biblioteca visitada por D.Pedro II, Velho - sede do 1° Bal Masqué de Jaboatão, São Bartolomeu (destruída em 2010), Muribequinha, Capelinha, Salgadinho, Rico, São Salvador, Palmeiras, Camaçari, Entre Rios, Cavalheiro e Cumbe.

Casa-grande do Engenho Megaype de Cima

Casa-grande do Engenho Guarany

A mais antiga atualmente existente é a casa-grande do Engenho Suassuna, construída em 1790 e onde funcionou a Academia Suassuna. Foi recentemente tombada pelo Estado, mas se encontra abandonada e sem uso. Outra casa igualmente importante é a do Engenho Novo da Muribeca, onde residiu o dicionarista Antônio de Moraes e Silva, autor do 1° Dicionário de Língua Portuguesa do Brasil. Também se destacam as casas dos engenhos Megaype de Cima, Penanduba, Dua Unas, Santana, Macujé e Caxito por sua beleza e arquitetura. Outras casas-grandes são bem modestas como as dos engenhos Pedra Lavrada, Caiongo e Canaduba.
Casa-grande do Engenho Caiongo

As casas-grandes de engenho são mais outro conjunto que integram o rico Patrimônio Histórico do Jaboatão!
Casa-grande do Engenho Novo da Muribeca