domingo, 6 de agosto de 2017

História do Bairro de Vila Rica

Por James Davidson


O bairro da Vila Rica é um dos mais importantes e populosos de Jaboatão dos Guararapes. Localizado na antiga sede do município, fica a sudeste do Centro de Jaboatão, às margens do Rio Jaboatão. Inclui várias comunidades e localidades diferentes como Boa Esperança, Alto Santo Antônio, Cohab 1, 2 e 3, Jardim Belo Horizonte, entre outros.


O nome Vila Rica vem do antigo Engenho Rico. Pertencente ao sr. Nô Cahu (Antônio Caú) que vende a propriedade no início do século XX e adquire um sítio nas proximidades de Jaboatão, outrora pertencente a Usina Bulhões, dando-lhe o nome de Vila Rica. Daí vem o nome do bairro surgido em terras de sua propriedade. A casa da família Caú ainda existe na localidade, próxima à COHAB 1.


Outra propriedade existente na localidade era o denominado Engenho Santo Antônio. Tratava-se na verdade de um sítio de criação de gado, pertencente ao Dr. Félix de Lira. Na residencia moraria uma das figuras mais ilustres de Jaboatão, o teatrólogo Irapuan Caeté, filho do referido proprietário. As terras foram posteriormente loteadas dando origem ao denominado Jardim Santo Antônio. Porém, a antiga casa da propriedade ainda existe, nela funcionado uma congregação da Assembleia de Deus.


Também havia no início do século XX um outro sítio denominado Boa Esperança, onde funcionava uma montaria de cavalos. Foi uma das primeiras áreas do bairro a ser povoadas, o que é evidenciado pela arquitetura de algumas casas desse trecho. Dali também era o antigo caminho que ligava ao Engenho Suassuna, ou Usina Jaboatão.


A área central da Vila Rica (trecho da Rua Barão de Morenos) tem um traçado delineado ainda no século XIX. Ali passava a antiga Estrada da Escada, projetada pelos engenheiros franceses DeMornay. A denominada "Ponte do Arraial" foi por eles inicialmente construída para esse fim, adquirindo essa denominação por conta do "Arraial de D. Micaela" que morava na localidade.



Outros bairros e localidades foram surgindo com o tempo, através de loteamentos. Na década de 1960 surge o Jardim Belo Horizonte, em terras que pertenciam à Usina Bulhões. Já no início dos anos 1980 surgem os primeiros conjuntos de condomínios na região. Financiados pela COHAB-PE, os blocos de apartamentos tipo caixão são construídos nos últimos remanescentes do sítio de Nô Cahú. Surgem assim a COHAB 1 e 2, localizadas no alto de dois morros, e a COHAB 3, num vale entre os dois.



Atualmente o bairro da Vila Rica continua crescendo, seja através de novos loteamentos, seja através de invasões. Possui intensa vida comercial, cultural e social, expandindo-se cada vez mais em direção à Usina Jaboatão e para o Lote 92.





quarta-feira, 12 de julho de 2017

Obrigado a todos que fizeram a exposição

Por James Davidson


A Exposição 'A Pátria Nasceu Aqui' no Shopping Guararapes inicialmente iria se estender do dia 4 de maio até 4 de junho de 2017. Todavia, devido ao sucesso do evento a administração do Shopping Guararapes decidiu prorrogar a exposição até o dia 30 de junho. Novamente a exposição foi prorrogada, desta vez por tempo indeterminado, sem porém a presença das peças cedidas pelo Instituto Histórico e das monitoras que acompanhavam os visitantes. Assim, o espaço continua aberto aos visitantes que podem ainda circular pela sala e fazer a leitura dos painéis e das imagens, cujos textos, é bom frisar, são de minha autoria, como curador da exposição. Quero agradecer à direção do Shopping Guararapes pelo apoio e reconhecimento do trabalho e à Fundação Joaquim Nabuco pela cessão das imagens, ao Museu Militar do Forte do Brum, pelo empréstimo dos manequins, bem como à Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes na pessoa do prefeito Anderson Ferreira por ter prestigiado o evento. Também agradeço a participação de todos que foram visitar o espaço, especialmente aos leitores do blogue que sempre valorizaram meu trabalho!

sábado, 10 de junho de 2017

Ruínas do Livramento da Muribeca

Por James Davidson


O Povoado de Muribeca é um verdadeiro celeiro da História de Jaboatão, com seus prédios históricos e casarios. Suas igrejas, engenhos e casarios ajudam a contar a história de Jaboatão e de Pernambuco. E um destes patrimônios existentes no lugar são as ruínas da Igreja dos Homens Pardos de Muribeca.


As ruínas da Igreja do Livramento dos Homens Pardos ficam localizadas na Rua do Rosário, defronte a um posto de saúde, próximo às Ruínas do Rosário dos Homens Pretos. Restam apenas uma única parede com seteiras, com alvenaria mista de pedras e tijolos, que chama a atenção na localidade.


A história do templo é porém muito antiga. Remonta ainda ao período colonial. A primeira referência vem do período holandês, quando a igreja era devotada a São Gonçalo. Posteriormente, no século XVIII, passou a ser identificada como devotada a N.S do Livramento, padroeira dos Homens Pardos.


As irmandades dos homens Pardos eram agremiações religiosas muito comuns na sociedade colonial. Eram compostas por homens livres, mestiços, que não pertenciam nem à elite branca nem ao grupo dos escravos e negros alforriados. Essas agremiações tinham o intuito de unir laços para ajuda mútua e realização de celebrações religiosas.


Quanto à Irmandade de Muribeca, não se conhecem registros sobre sua existência e funcionamento. Também são desconhecidas as causas do arruinamento e destruição do templo. Segunda uma planta de 1877,  a igreja ainda estava inteira e possuía orientação diagonal em relação à rua. No início do século XX, porém, já se encontrava em ruínas, segundo informações dos moradores mais antigos.


No ano de 1954, em virtude das comemorações do 300° da Restauração Pernambucana - saída dos holandeses de Pernambuco - foi alocado no templo uma placa comemorativa, tendo em vista a importância de Muribeca no desenrolar do conflito entre portugueses e holandeses. Atualmente, as ruínas fazem parte do Conjunto Tombado da Povoação de Muribeca dos Guararapes.