terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Monumento Antigo em Jaboatão Centro

Por James Davidson


Quem mora ou trabalha em Jaboatão Centro talvez não conheça este monumento. Localizado na Praça Dantas Barreto (Praça do metrô), em frente à antiga Prefeitura do Jaboatão, passa despercebido pela maioria que por ali transita diariamente. E mesmo que nota sua presença, muitas vezes  ignora do que se trata na verdade.


Na verdade, este monumento tem uma história interessante. Foi colocado ali durante as comemorações do Tricentenário da Restauração Pernambucana, comemorado e celebrado em 1955. O evento, que mobilizou grande parte da sociedade pernambucana na época, devido à importância que a expulsão dos holandeses representa para a história do Nordeste e do Brasil, contou com a participação de pessoas importantes como as autoridades estaduais e municipais, militares, políticos, intelectuais, entre outros. Em Jaboatão, foi protagonista o então Prefeito Humberto Barradas que, participando ativamente das solenidades realizadas no município, mandou ser posto um monumento na Praça Dantas Barreto, em memória do Tricentenário da Restauração. 


O monumento consiste num granito encravado no solo, com uma placa de mármore no formato do Mapa de Pernambuco. Desconhecemos o artista autor da obra que contém os seguintes dizeres: "Homenagem do Jaboatão aos heróis da Restauração Pernambucana 1654 - 1954". Encontra-se precisando de maior atenção dos poderes municipais, já que foi alvo recentemente de pichadores que não ignoraram o monumento.

sábado, 1 de novembro de 2014

Megaípe na Pintura

Por James Davidson


Nenhuma casa de engenho causou na história tantas polêmicas e tantas discussões como a casa-grade do Engenho Megaípe. Localizada no município do Jaboatão dos Guararapes, próximo ao Povoado de Muribeca, nenhuma casa de engenho foi tão comentada, tão idealizada e tão celebrizada como aquela casa de engenho. Tida como o mais antigo representante do período colonial a ter sobrevivido aos tempos modernos, Megaípe tornou-se mais conhecida mesmo a partir de sua destruição, ocorrida no ano de 1928. Tudo porque o seu proprietário, temendo a realização de um pioneiro processo de tombamento a ser realizado no estado, decidiu por abaixo aquela que poderia ser talvez a maior relíquia sobrevivente do período colonial de Pernambuco.


A destruição de Megaípe causou grande impacto entre os intelectuais de sua época. Gilberto Freyre já vinha falando sobre ela há vários anos antes de sua destruição, em matérias de jornais locais como "A Província". Em sua primeira edição de Casa-grande e Senzala lá estava Megaípe representado por uma litografia. Outros escritores e intelectuais importantes como José Mariano Filho e Júlio Bello também deixaram registradas suas opiniões sobre o edifício, notadamente após a sua destruição.


No meio artístico a casa-grande de Megaípe também não foi esquecida. Se não foi possível preservar o prédio colonial como todos desejavam, os artistas aos menos o fizeram em suas especialidades. Assim, na poesia Manuel Bandeira e Ascenço Ferreira deixaram em versos seus pensamentos e sentimentos sobre a casa-grande. Em fotografias, Megaípe chegou  a ser registrada por Armando Oliveira, Júlio Bello, Beroaldo Mello e Ulysses Freyre. 


Na pintura e no desenho, Megaípe também não foi negligenciada. Foram vários os artistas que celebraram a memória da edificação em diversos estilos e épocas. Assim, temos os quadros do pintor Manuel Bandeira (não confundir com  o poeta, pois eram pessoas diferentes), um dos primeiros a registrar pela pintura a notável casa-grande. Outra que também pintou o edifício foi a artista Fedora do Rego Monteiro Fernandez, famosa artista do início do século XX.


Megaípe mereceu a atenção também do pintor carioca Alfredo Norfini. Seu quadro "Solar de Megaípe" aparece registrado como tendo participado de uma exposição do Museu Imperial. Também ganhou destaque nacional a representação de Megaípe realizada por José Wasth Rodrigues, em seu Documentário Arquitetônico, publicado em na primeira metade do Século XX. Mais recentemente, a casa de Megaípe foi também eternizada nem quadro do pintor pernambucano Mário Nunes. Como possível perceber, talvez nenhuma casa-grande de engenho tenha recebido semelhante atenção por parte de intelectuais e de artistas, e certamente devem existir outros que passaram despercebidos. Assim, Megaípe será  para sempre lembrada através da história não somente por sua destruição, mas também por ter sido capaz de movimentar em sua época tantos intelectuais e artistas mais que qualquer outra edificação contemporânea.



terça-feira, 28 de outubro de 2014

Formação com Professores de Geografia do município

Por James Davidson


Nos últimos meses tenho participado como mediador nas formações sobre Patrimônio Histórico junto aos professores da Rede Municipal de Ensino do Jaboatão dos Guararapes. À convite da Coordenação de Patrimônio da Secretaria de Cultura do município e da Secretaria de Educação, estive com os professores em aulas teóricas e práticas sobre o Patrimônio do Jaboatão. No último dia 22 de outubro, em aula prática, tivemos a oportunidade de visitar os Montes Guararapes, um dos principais marcos históricos do município. Visitamos o Mirante do Exército no Monte do Oitizeiro e a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres. O Roteiro inicial previa também que iríamos visitar o Povoado de Muribeca de Guararapes, mas o atraso do transporte infelizmente não permitiu, o que foi uma pena pois privou o grupo de visitar um dos lugares mais interessantes do município. Apesar disso, a experiência foi bastante proveitosa e podemos conhecer um pouco da história e da realidade do patrimônio em Jaboatão. Fico muito feliz enquanto professor e como pesquisador em contribuir de forma significativa para a apropriação do Nosso Patrimônio aos professores da Rede Municipal de Jaboatão de Guararapes!